terça-feira, 18 de maio de 2010

Necessidades Paradoxais

Existem coisas que parecem paradoxais em nosso mundo.
Mais do que isso, existem muitas coisas que parecem impossíveis de serem alcançadas aos olhos da maioria. Distantes, digo eu!

Talvez por que eu seja um sonhador ou, ainda,  por que eu compreenda a utopia/o sonho como o NORTE da minha bússola. E ressalto que sem um NORTE, ninguém vai a lugar algum!

Utilizando uma frase profunda de nosso supreendente Presidente molusco digo que "nunca, antes, na história desse país" o povo pensou tanto em necessidade de mudança. A bem da verdade, nunca, antes, na história de qualquer lugar que seja se pensou tanto em necessidades de mudança... E o engraçado (na real nem tão engraçado assim) é que todo mundo tem uma facilidade incrível para identificar os problemas. Ouso falar que todo mundo tem a incrível facilidade para identificar focos do problema, mas não conseguem enxergar o problema - como pessoas vendadas, em quarto escuro, tateando, no lugar, um elefante: pelo tato, sentem a pele rugosa do animal, mas nenhum deles sabe dizer do que se trata exatamente pois conhecem apenas uma parte.

"O problema é a educação", dizem alguns. - CORRETO!
"O problema é a política", outros. - CORRETO!
"O problema é o dinheiro", arriscam aqueles da esquerda fiel. - CORRETO!

E se eu dissesse que o problema está em nós? [eu seria excomungado da igreja católica, mesmo sem a ela pertencer]...

Não é querer parecer entendido, assim como não pretendo me fazer parecer hiper extremista.
Julgo ser a mais pura realidade... e explico.

Aqueles que dizem que o problema do mundo está na educação, em linhas gerais, não estão de todo errado. O grande problema é que, na grande maioria dos casos, esses são os que tem a visão mais errônea do que seria educação: são aqueles que entregaram/entregam por completo a função da educação à escola, abdicando de sua função de pai/mãe (muito embora a escola também esteja devendo muito, principalmente no modelo de educação que se trabalha); são os que reclamam do professor quando o filho não recebe tarefas por escrito para realizar em casa; e, ainda, são aqueles que não percebem a educação como processo gradativo e contínuo de identificação, reflexão, ação/intervenção. Assim, os que evidenciam esse lado da moeda (problema na educação) são os que menos dão força para que a educação realmente mude. PARADOXAL, né?

Aos que afirmam que o problema é a política, não há muito o que falar. Apenas peço que não recriminem a política em si: repudiem, sim, a politicagem, que é outra coisa. E, ainda, esses que reclamam da política em geral são aqueles que pouco valor dão às eleições diretas "porque, afinal, nunca muda nada" ou, ainda, afirmam que "Meu voto é apenas um". Política, para mim, é justamente a capacidade que um homem tem de ter um sonho e saber tomar as decisões corretas para ir atrás desse sonho. Ser político é ter convicção e coragem para ir além. E que convicção ou coragem tem quem entrega um voto ou quem dá as costas para decisões das mais simples? PARADOXO...

Aos que reclamam do dinheiro: meu respeito pela coragem de assumir uma guerra gigantesca! Mas, ainda que a corrida maluca por pedaços de papel que têm valor, para alguns, maiores do que as virtudes mais belas do homem, a meu ver, o problema reside em nós. O PARADOXO, aqui, fica por conta de querermos uma sociedade justa, saudável e tranqüila, ao mesmo tempo em que o consumismo e a sociedade do lucro quer concentrar riquezas na mão de poucos.

Na mais inicial das percepções, todos os elementos discutidos e tratados como PROBLEMAS DO MUNDO são, nada mais, nada menos, criações humanas. O problema, portanto, não são esses elementos, mas o trato e o valor que a sociedade atribuiu a eles. Educação tratada de qualquer jeito, é problema! Política tratada de qualquer jeito, é problema. Dinheiro, tratado e valorizado de qualquer jeito, não pode ser coisa boa... A lógica, então, não é ser radical ao extremo e banir essas criações humanas da face da terra. Fugir dos problemas nunca foi solução para nada... Mas e a solução??

A solução reside na compreensão, por parte da sociedade como um todo, de todas essas questões e na luta, em conjunto, para tornar o mundo melhor a seu gosto. A solução está, literalmente, na assunção do respeito às diferenças (EDUCAÇÃO, POLÍTICA, DINHEIRO). A solução está em interiorizar a idéia de EDUCAÇÃO e a idéia de POLÍTICA para assim construir/desenvolver meios para se discutir os valores pretendidos pela sociedade global (DINHEIRO e HONESTIDADE, JUSTIÇA, AMOR, ETC...). Os valiosos pedaços de papel podem circular pelo meio de uma sociedade bacana e centrada, desde que compreendamos que existem outros valores que merecem maior destaque.

Para finalizar, entretanto, diferentemente de contos de fadas, eis que ressurge em minha cabeça mais uma questão PARADOXAL: Isso tudo exige mudança... aquela mesma necessidade de mudança referida no início desse texto. O problema? O ser humano é acomodado...pensa sobre mudança, reflete sobre a necessidade de mudança, mas precisa tomar na cabeça para realmente tentar mudar. Esses PARADOXOS....

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Festeiros e "festeiros"...

Tenho me assustado com certa frequência. Não é nada que aconteça de repente, "no pulo do gato". Meus sustos são calculados, ao menos por mim. Em geral, já os espero. Talvez nem sejam sustos, mas, sim, lapsos de um estarrecimento assombroso.

Saio pouco nas noitadas baladeiras nas quais a juventude se enfia cada vez mais. Se tem coisa que não entendo nesse mundo é justamente a dependência que a juventude tem de "festa". Já, já eu explico o porque das aspas. Ao certo, antes fosse uma dependência de festa, de agito, de grito, de dança, de camaradagem e de socialização. O que vejo, o que percebo (e que, na verdade, torço muito para estar vendo tudo de uma maneira muito distorcida), é uma necessidade quase absurda (para não utilizar a palavra BURRA) de APARECER. Na sua grande maioria, os jovens se embrenham numa batalha estapafúrdia para analisar quem consegue aparecer mais, chamar mais a atenção dos outros, não importando o quão ridículo possa vir a parecer. Até aqui tudo okay, não fossem os meios que utilizam para sua pretensão traduzidos pelo altíssimo nível de consumo de álcool e entorpecentes de toda ordem. ALERTO: a partir desse ponto, a noite pode acabar em diferentes locais.

"E por que fazem isso?" - muitos se perguntam.

Meu estarrecimento se dá quando esses "festeiros" respondem tal questionamento: "porque é legal"; "pra ficar locão"; "porque a moral é me soltar mais". Meu medo, meus sustos calculados, meu estarrecimento é justamente essa prática de quase banalização da insanidade. Para alguns, a grande sacada da noite está em fazer de tudo e não se lembrar de nada (ou quase nada) no dia seguinte. E, como são que sou, me pergunto: PARA QUÊ? O legal da vida não é ter experiências vividas que poderão ser contadas aos quatro ventos? Para mim, ao menos, sim. Acredito, mesmo, que valha mais contar as experiências,  sabê-las, até mesmo aquelas menos boas (nunca ruins). É mais humano. É mais sadio. É mais interessante. É mais honroso!

Nada contra aqueles que pensam e fazem diferente. Falo de meu estarrecimento, apenas! Mas cabe uma pergunta básica: vais falar o que para os outros se tu não te lembras de nada? Viverão dependentes da boa-vontade dos amigos de contarem (e, possivelmente, inventarem) suas aventuras? GAME OVER, man!

Me surpreendo com alguns desses que ousam me perguntar se sou feliz, como  se fossem doutrinados por uma religião que prega a felicidade como característica dos dependentes de alucinógenos.  Não é bem o que vejo... Prefiro me manter são, esperto, tranquilo, limpo, livre, alerta, gravando todos os momentos da vida e celebrando-os. Vivo todos os dias sem precisar de um período longo de recuperação que,para os religiosos daquela seita "vigorosa" tem o nome sagrado de RESSACA! Porque, para mim, festas são celebrações e, como celebrações, merecem que sejam recordadas. Para as festas,como festeiro que sou, meu único ópio é a alegria!

Viva a vida e não viva em vão.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Ser educador...

Há tempos tenho escutado as mesmas perguntas. Para ser mais exato, desde que tomei consciência de que desejava cursar Licenciatura em Educação Física escuto "a pergunta que não quer calar": POR QUE ESCOLHEU SER PROFESSOR??

Esse questionamento bate em mim quase como um tapa no rosto, mesmo porque sei que, na grande maioria dos casos, aqueles que me fazem esta pergunta têm, no seu íntimo, a idéia de que devo ser louco. Por outro lado, esse questionamento me fortalece na medida em que me percebo acreditando nos meus sonhos, embora compreenda as inúmeras dificuldades da profissão. Grosso modo, aqueles que me vêem enquanto louco devem admirar a minha coragem e vontade.

Entretanto, eu mesmo não me julgo a pessoa mais normal do mundo. Acredito, também, que nenhum professor realmente se auto-perceba assim. Isso porque realmente somos loucos, muito embora essa nossa loucura esteja muito mais para uma sede de mudança quase sempre utópica. Quase sempre!

Respondo, portanto, publicamente, àqueles que desde sempre me perguntaram "O que te deu na cabeça para tu escolheres ser professor?". E respondo, talvez, por toda uma classe.

Sou professor porque consigo acreditar no meu sonho. Porque não compreendo minha existência sem deixar algum legado para alguém. Porque não sei ver coisas erradas e simplesmente dar de ombros. Porque vejo um mundo de pernas para o ar (e ele não está simplesmente plantando bananeiras por estripulia ou "sapequisse") do qual todos não gostamos e não pretendo mantê-lo da mesma forma.

Ser professor é, antes de tudo, acreditar na mudança e confiar na sua própria capacidade. É confiar no ser humano como um ser dotado de inteligência (muito embora poucos realmente a utilizem) que pode, quando bem entender, realizar as alterações necessárias em um sistema por ele criado para tornar a vida realmente melhor. Ser professor é conseguir pensar em todos, entender que o mundo não depende só de um, buscar fazer o possível para que cada comunidade se perceba enquanto parte fundamental de um todo maior. Ser professor é tentar, a todo momento e sem desistir, superar as dificuldades e as barreiras que a própria sociedade cria, quase como um peixe que luta contra a correnteza por toda a sua vida.

Sou professor, por tudo isso que cito acima. Sou professor porque sou indignado com um mundo criado para poucos, que seleciona, que exclui, que nega o outro, que atira o diferente para a margem e que é completamente contra a própria vida. Precisamos, desde pequenos, fazer o máximo possível para sermos reconhecidos enquanto senhores/mestres/doutores quando, na verdade, precisaríamos apenas viver de modo feliz uma vida na qual todos fossem reconhecidos enquanto iguais.

Sou professor por reconhecer o forte poder político-transformador que essa tarefa pode ter se bem executada. Educo, sim, para a transformação. Educo, sim, para a liberdade. Educo, sim, para a saúde. Educo, sim, para que meus alunos questionem toda estrutura social que aí está posta e para a qual muitos apenas dizem amém. Não espere que eu eduque para manter modelos.

Aos que sempre me questionaram, essa é a minha resposta. Sem críticas às demais profissões, sem querer aqui dizer que a minha profissão é a mais importante. Apenas, acho bastante válido que todos se deixem tomar por esse pequeno "desabafo" que mostra a mais completa lucidez de um louco que por aí vaga.

"Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda."- (Paulo Freire)