O texto abaixo foi escrito por Rodrigo Mallmann, amigo que me propôs essa escrita e a publicação. A partir desse texto, em breve, escreverei um (ou uns) outro (ou outros), na tentativa de estabelecer diálogo. Para tal feito, convido a todos que lêem esse blog para se juntarem à discussão, escrevendo seus próprios textos e entrando em relação dialética comigo e com os demais autores. Fica a proposta e o convite. Vamos tentar para ver no que vai dar?
A quem quiser enviar textos sobre o assunto (Educação), peço que os enviem para mim pelo endereço de e-mail jefferson.castro.efi@gmail.com .
Segue o primeiro texto, portanto:
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(Escrito por RODRIGO MALLMANN)
Antes de passar à segunda linha desse texto, cabe ressaltar: Não tenho formação pedagógica, teórica, nem sou discípulo de Paulo Freire ou qualquer outro estudioso da educação. Sou apenas um cidadão que tenta pensar as coisas de modo um pouco mais profundo do que a superficialidade do sistema oferece.
A meu ver, a formação escolar deve ser, acima de tudo, uma formação pensante, uma forma de estímulo ao desenvolvimento de capacidades intelectuais, físicas e artísticas que trabalham de forma a auxiliar no crescimento da sociedade a partir do crescimento individual. Desde a educação infantil até o ensino superior, a idéia deveria ser unicamente essa: a aquisição de conhecimento para aprimoramento próprio e conseqüentemente, aprimoramento social. É estatística: quanto maior a educação, maior o desenvolvimento de um grupo.
Acontece que a educação estagnada não te faz pensar. Tratar o ensino como se fosse uma receita de bolo é menosprezar a capacidade individual de cada aluno. A educação infantil deveria preparar as crianças para o mundo escolar, desenvolvendo formas de percepção que muitas vezes, em virtude da inércia desse trabalho, acaba acarretando em dificuldades de atenção, abstração, e compromete toda a vida de aprendizado posterior. O ensino fundamental, como o próprio nome diz, deve ensinar o fundamental, o essencial que todo adolescente que está prestes a decidir seu futuro deveria saber. E o conhecimento acumulado nesse período reflete muito nas escolhas futuras.
O Ensino médio, hoje em dia, nada mais é que um preparatório para o vestibular. A função do ensino médio, que deveria ser aprimorar os estudos para áreas específicas, está pouco se importando com essas questões. As escolas não querem saber como está a qualidade de seu ensino, só trabalham com índices de aprovações em universidades federais. E aí eu ergo uma bandeira polêmica. A especificidade de disciplinas no âmbito do Ensino Médio.
É público e notório que, no âmbito empresarial, uma possibilidade de crescimento, e um poder de decisão servem como motivador, pois lhe dá autonomia para caminhar por trilhas que tu escolhe por vontade própria. Essa seria a idéia de um sistema de aprofundamento multidisciplinar que permitira trabalhar melhor as questões que preparariam o profissional para atuar em determinada área. Ou seja, não existira razões para um estudante que busque trabalhar com pessoas, na área das ciências humanas, que passe 2 anos de sua vida estudando ligações iônicas ou logaritmos.
Toda a bagagem de estudos básicos, que todos devem saber para estar minimamente aptos à vida civil, devem ser passados no ensino fundamental. A partir daí, o aluno poderia optar por tipos de currículos que favoreçam os seus interesses. E quando do ingresso na faculdade, aí seria feita a análise dos requisitos essenciais para ingresso em cada área, que comportaria um profissional mais bem preparado para aquele ramo de estudos onde ele pretende atuar.
O mundo hoje pede pessoas dinâmicas, com capacidade de desenvolvimento de atividades em diversas áreas. Mas um estudo mais aprofundado acerca de sua formação profissional permite que se crie essa capacidade de abstração e se permita pensar o seu trabalho ou seus estudos de forma multidisciplinar. Paremos de criar massas de manobras, mas sim passaremos à formação de cidadãos pensantes, com capacidade de vislumbrar um mundo de modo mais consciente, e de acordo com as necessidades existentes, e não simples repassadores de conhecimentos que desconhecem o porque de tudo.
Partamos do princípio de que a educação precisa ser revista. Métodos da Idade Moderna, de preparação de um proletariado maleável conforme os desejos da massa empregadora não podem mais ser comportados dentro de uma sociedade moderna. Devemos parar de ouvir respostas prontas pra questões pré-concebidas e partir a fazer perguntas questionando a origem e quais os objetivos presentes em cada cadeia de estudos. Sempre o “Por que”, nunca o “porque sim”.