quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Pensando e repensando a educação...

O texto abaixo foi escrito por Rodrigo Mallmann, amigo que me propôs essa escrita e a publicação. A partir desse texto, em breve, escreverei um (ou uns) outro (ou outros), na tentativa de estabelecer diálogo. Para tal feito, convido a todos que lêem esse blog para se juntarem à discussão, escrevendo seus próprios textos e entrando em relação dialética comigo e com os demais autores. Fica a proposta e o convite.  Vamos tentar para ver no que vai dar?

A quem quiser enviar textos sobre o assunto (Educação), peço que os enviem para mim pelo endereço de e-mail jefferson.castro.efi@gmail.com . 

Segue o primeiro texto, portanto:

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(Escrito por RODRIGO MALLMANN)

Antes de passar à segunda linha desse texto, cabe ressaltar: Não tenho formação pedagógica, teórica, nem sou discípulo de Paulo Freire ou qualquer outro estudioso da educação.  Sou apenas um cidadão que tenta pensar as coisas de modo um pouco mais profundo do que a superficialidade do sistema oferece.
                A meu ver, a formação escolar deve ser, acima de tudo, uma formação pensante, uma forma de estímulo ao desenvolvimento de capacidades intelectuais, físicas e artísticas que trabalham de forma a auxiliar no crescimento da sociedade a partir do crescimento individual.  Desde a educação infantil até o ensino superior, a idéia deveria ser unicamente essa: a aquisição de conhecimento para aprimoramento próprio e conseqüentemente, aprimoramento social. É estatística: quanto maior a educação, maior o desenvolvimento de um grupo.
                Acontece que a educação estagnada não te faz pensar. Tratar o ensino como se fosse uma receita de bolo é menosprezar a capacidade individual de cada aluno. A educação infantil deveria preparar as crianças para o mundo escolar, desenvolvendo formas de percepção que muitas vezes, em virtude da inércia desse trabalho, acaba acarretando em dificuldades de atenção, abstração, e compromete toda a vida de aprendizado posterior. O ensino fundamental, como o próprio nome diz, deve ensinar o fundamental, o essencial que todo adolescente que está prestes a decidir seu futuro deveria saber. E o conhecimento acumulado nesse período reflete muito nas escolhas futuras.
                O Ensino médio, hoje em dia, nada mais é que um preparatório para o vestibular. A função do ensino médio, que deveria ser aprimorar os estudos para áreas específicas, está pouco se importando com essas questões. As escolas não querem saber como está a qualidade de seu ensino, só trabalham com índices de aprovações em universidades federais. E aí eu ergo uma bandeira polêmica. A especificidade de disciplinas no âmbito do Ensino Médio.
                É público e notório que, no âmbito empresarial, uma possibilidade de crescimento, e um poder de decisão servem como motivador, pois lhe dá autonomia para caminhar por trilhas que tu escolhe por vontade própria. Essa seria a idéia de um sistema de aprofundamento multidisciplinar que permitira trabalhar melhor as questões que preparariam o profissional para atuar em determinada área. Ou seja, não existira razões para um estudante que busque trabalhar com pessoas, na área das ciências humanas, que passe 2 anos de sua vida estudando ligações iônicas ou logaritmos.
                Toda a bagagem de estudos básicos, que todos devem saber para estar minimamente aptos à vida civil, devem ser passados no ensino fundamental.  A partir daí, o aluno poderia optar por tipos de currículos que favoreçam os seus interesses. E quando do ingresso na faculdade, aí seria feita a análise dos requisitos essenciais para ingresso em cada área, que comportaria um profissional mais bem preparado para aquele ramo de estudos onde ele pretende atuar.
                O mundo hoje pede pessoas dinâmicas, com capacidade de desenvolvimento de atividades em diversas áreas. Mas um estudo mais aprofundado acerca de sua formação profissional permite que se crie essa capacidade de abstração e se permita pensar o seu trabalho ou seus estudos de forma multidisciplinar. Paremos de criar massas de manobras, mas sim passaremos à formação de cidadãos pensantes, com capacidade de vislumbrar um mundo de modo mais consciente, e de acordo com as necessidades existentes, e não simples repassadores de conhecimentos que desconhecem o porque de tudo.
                Partamos do princípio de que a educação precisa ser revista. Métodos da Idade Moderna, de preparação de um proletariado maleável conforme os desejos da massa empregadora não podem mais ser comportados dentro de uma sociedade moderna. Devemos parar de ouvir respostas prontas pra questões pré-concebidas e partir a fazer perguntas questionando a origem e quais os objetivos presentes em cada cadeia de estudos. Sempre o “Por que”, nunca o “porque sim”.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Escravos em pleno Séc. XXI... !?

Eis a pergunta que tem me causado inquietação extrema nos últimos tempos...

As discussões acerca desse assunto sempre geram milhares e milhares de caras tortas, beiços retorcidos, testas franzidas e muita, mas muita concordância.
É impressionante como as pessoas conseguem perceber, numa conversa, o quão alienadas parecem estar. Contudo, o que me impressiona de maneira mais impactante é a incapacidade de sentar, parar e refletir sobre a possibilidade de mudança. Não é que as pessoas gostem de se verem reduzidas a peças de uma engrenagem gigante que nunca para. O problema reside nas imposições sociais, que são culturais/ideológicas e, por tal, constituem "verdades".

Vamos ver em que ponto escorregamos nas nossas crenças?

O que pensar de uma pessoa com seus 20-30 anos que não trabalha e nem estuda?
O que pensar de uma pessoa com seus 20-30 anos que apenas estuda e não trabalha?
O que pensar de uma pessoa com seus 20-30 anos que trabalha e que estuda?

De imediato, temos uma sutil tendência de ter maior aceitação (aceitação é uma boa expressão para essa idéia) pela opção daquele ser que é maior de 20 anos, trabalha e estuda, né? Os outros dois, por vezes, são encarados como possíveis jovens que não têm emprego simplesmente por que não procuraram ou, ainda, por outros motivos incontáveis que nos levam a crer que são possíveis vagabundos.

Na nossa sociedade, o que muito valorizamos acaba sendo uma possível independência financeira... Os seres mais aceitos em nosso meio são aqueles que têm dinheiro, que são capazes de consumir e, em suma, de fazer a engrenagem seguir rodando. E para isso, temos de trabalhar, trabalhar e trabalhar! Mas algo diferente acontecia nas sociedades antigas, que viviam sob outros regimes políticos e econômicos: todos trabalhavam para a comunidade, viviam em culturas de subsistência, trabalhavam para comer e seus momentos de lazer eram os momentos de lazer de toda a comunidade (festas, rituais, etc.). Havia divisão do trabalho: Uns caçavam, outros preparavam a caça, as mulheres tinham o papel sempre fundamental de educar e criar os futuros seres daquela comunidade. Tudo isso sem a menor (e ridícula) idéia de valoração diferente para trabalhos diferentes: cada um era fundamental para a existência da comunidade!!

Puxando a história para nossos dias e para nossas "mega-comunidades ultra desenvolvidas", tentarei abordar o que me intriga nesse papo todo.

Para vivermos nesse mundo é fundamental que tenhamos dinheiro para consumir. Para termos dinheiro, é imprescindível que gastemos alguns anos de nossas vidas presos em escolas e universidades na tentativa de ser "alguém" (e isso já é absurdo, afinal: Eu sou desde que nascí!). Passados os anos de preparação para o mecado de trabalho, chegamos no momento de trabalhar, de fazer a grande engrenagem girar. Trabalhamos, recebemos uma ínfima parte do dinheiro relacionado ao que produzimos. Em resumo, vendemos nossa força de trabalho, nosso tempo de vida,  para podermos consumir a comida que nos mantém e as coisas das quais não necessitamos tanto assim (mas precisamos possuir para sermos aceitos na "brilhante sociedade").

E seguimos nós trabalhando e trabalhando... E eis que chegamos ao cúmulo da imbecilidade: Nossos momentos de lazer, que [HOJE] nada mais são do que momentos de NÃO-TRABALHO, acabam sendo momentos de descanso da mente e do corpo para uma nova jornada de mais e mais e mais TRABALHO! Isso quando não acabamos forçados a vender os momentos de lazer e descanso para obter mais e mais dinheiro...

E nesse circo todo, [sobre]vivemos para trabalhar e ganhar dinheiro. E o que tem mais valor é alcançar o máximo de riqueza possível para que se possa gozar de períodos um pouco mais longos de VIDA com viagens, férias e descanso... E nos tornamos seres individualistas, essenciais apenas a nós mesmos. Perdemos muito de nosso sentido comunitário: jogamos o jogo uns contra os outros, afinal os espaços são poucos, e não mais uns com os outros!! Perdemos de fato muito da nossa capacidade de aproveitar realmente nosso momento de LAZER. Comprar é o que nos deixa felizes e satisfeitos...
O que me impressiona é que todos percebem esse marasmo, essa escravidão provocada pelo sistema, mas poucos são capazes de sentar, parar e refletir sobre a possibilidade de mudança.

Eis que cá estamos nós: ESCRAVOS DO DINHEIRO E TOMANDO CHIBATADAS MIL DE NOSSA PRÓPRIA CONSCIÊNCIA QUE NOS AFIRMA, A TODO INSTANTE, QUE ESSA NÃO É A NOSSA VIDA!! Ainda que se receba alguma remuneração pelo trabalho, creio que nada paga o desperdício de nossa vida!


Os caras, aqueles, que não trabalham, talvez ainda não sejam escravos dessa loucura toda. Talvez estejam um passo à nossa frente dependendo do ponto do qual analisamos toda a situação...

E pra ti: ACABOU A ESCRAVIDÃO??

Espero comentários...

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

As relações e o amor...

(por Jefferson Castro)
Antes de mais nada, preciso deixar claro, aqui, que não sei ser meio EU.
Sou bastante intenso e acredito muito nas pessoas...

Minha maior crença se funda no desejo de ser sempre mais.
Minhas relações, quaisquer que sejam, se baseiam quase que puramente em amor.

Sigo uma lógica bastante simples que tentarei deixar expressa por aqui (não que espere que alguém leia e siga ou diga amém, muito embora achasse isso adequado):
Fico realmente FELIZ DEMAIS quando vejo que alguém faz o seu melhor por mim: pode ser para me auxiliar nos estudos, para se fazer entender em qualquer explicação, quando me alerta sobre algo, quando escuta com atenção ou, ainda, simplesmente quando deixa de fazer o que estava fazendo para dizer um OLÁ, BOM DIA, BOA TARDE, BOA NOITE, EAÍ, FALAÊ, etc.!

Sei que as pessoas são diferentes umas das outras, mas também sei que TODAS, no seu íntimo, desejam ser bem tratadas, receberem sua merecida atenção. Todas querem RESPEITO, SINCERIDADE, CARINHO, AMIZADE, LIBERDADE e AMOR.

Em suma, as pessoas desejam relações que as permitam SER SEMPRE MAIS e, relações que as permitam ser mais devem ser relações VERDADEIRAS.
Para mim, essa gana por SER MAIS precisa ser o objetivo maior dos seres humanos e, como ser de relações, o ser humano precisa assumir o COMPROMISSO por querer SER MAIS (e claro, permitir que os outros sejam, também, SEMPRE MAIS)!

É por tal lógica que não consigo compreender as relações sem AMOR. Não falo do amor romântico como o de um casal de apaixonados (que por romântico agrega outros sentimentos): falo de um amor prático, essencial ao dia-a-dia, fundado sobre RESPEITO, SINCERIDADE, COMPREENSÃO e LIBERDADE. Amor esse que, muitas vezes, falta até aos apaixonados mencionados anteriormente... Paulo Freire, um dos maiores educadores brasileiros (senão o maior), já dizia que "quem não ama não compreende o próximo, não o respeita"(1979, p. 29). Portanto, como ter uma relação verdadeira sem amor? EU, particularmente, acho difícil!

Alguns me criticam, falam que tento ser Buda ou Jesus Cristo (por sinal, o que tem de errado em tentar ser um desses?). De mim, o que flui sempre é amor!

É preciso que fique claro, aqui, que reconhecer o inacabamento (a imperfeição) do homem não pode significar a desculpa pronta que fica à espera de qualquer de nossas falhas. Reconhecer esse inacabamento só pode significar, justamente, a necessidade de desenvolvimento humano em todos os aspectos.

O que precisa ficar, disso tudo, é que SER LEGAL COM AS PESSOAS É, SIM, UMA ATITUDE SEMPRE BACANA! Ame, portanto...
Entretanto, não pretendo ser pregado numa cruz como um outro cara que dizia algo parecido.
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E, de mais a mais, "Amém", ao final das orações, não pode ser algo diferente do que 'alguém' nos dizendo AMEM!

Aos amigos, estaremos sempre juntos para o que der e vier.
Em qualquer lugar, a qualquer hora!

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Aos educadores, indico:
  • FREIRE, Paulo. Educação e Mudança. [Tradução de Moacir Gadotti e Lilian Lopes Martin]. – Rio de Janeiro, RJ: Paz e Terra, 1979. Coleção Educação e Comunicação vol. I.